Quer saber quais bancos oferecem Bitcoin no Brasil? Negaram, xingaram, mas contra fatos não há argumentos: os bancos tiveram que mudar diante da nova realidade. Inventaram mil e uma narrativas contra o Bitcoin e agora mudaram a estratégia, vindo com tudo na tentativa de monopolizar o acesso.

Se você ainda não sabe exatamente como o Bitcoin funciona, recomendamos ler primeiro nosso guia completo sobre o que é Bitcoin. Aqui vamos focar no lado prático: quais bancos permitem que você compre Bitcoin diretamente pelo app e o que cada um oferece.

Por muito tempo, os bancos tentaram queimar o Bitcoin. Até 2021, só atacavam, dizendo que ele “não tinha valor intrínseco”, que era “coisa de criminoso”, que era “muito arriscado” e que não era confiável porque o Bitcoin poderia “ir a zero”. Alguns chegaram até a fechar contas de clientes, exchanges e operações P2P.

Para o Bitcoin, nada disso importa; Bitcoin é honey badger, ele não dá a mínima. Bitcoin nem ataca, ele simplesmente existe. Cria um bloco a cada 10 minutos e está focado em seguir seu mecanismo de consenso.

O simples fato de o Bitcoin existir e resistir em meio a tanta manipulação e calúnia é o que o diferencia de todos os demais. Assim, toda vez que o Bitcoin não morre, expõe o quanto todos os engravatados estavam errados desde o início.

Com a crescente demanda dos clientes, os bancos tiveram que dar o braço a torcer. Hoje, pelo menos cinco grandes bancos brasileiros já oferecem algum tipo de serviço com Bitcoin.

Vamos ver quais são, como funcionam e, mais importante, quais realmente permitem que você saque seu Bitcoin para sua própria carteira.

Vamos lá?!

Por que os bancos estão interessados no Bitcoin?

Um relatório divulgado pela Coincub classificou os bancos brasileiros como um dos mais receptivos do mundo em relação ao Bitcoin. Inclusive, o Brasil tem se destacado mundialmente quanto à adoção desses ativos por parte dos bancos.

E não é surpresa: o Brasil tem se destacado globalmente na adoção de ativos digitais por parte de instituições financeiras.

Esse interesse está diretamente ligado à demanda dos próprios clientes. Com a inflação corroendo o real e a poupança rendendo praticamente nada, cada vez mais brasileiros buscam alternativas para proteger seu patrimônio e muitos encontram o Bitcoin nesse caminho.

Além disso, o Marco Legal das Criptomoedas (Lei 14.478/2022) trouxe mais segurança jurídica para que bancos operem nesse mercado. Em novembro de 2025, o Banco Central publicou novas regras de regulamentação que incluem exigências de prova de reservas, o que deve aumentar ainda mais a participação institucional.

O resultado? O estado de São Paulo se consolidou como polo central para provedores de Bitcoin, com instituições como Nubank, Itaú e BTG Pactual liderando a corrida.

Gráfico da Coincub que mostra bancos que oferecem serviços criptos por continente

Quais bancos oferecem Bitcoin no Brasil?

Atualmente, os principais bancos e contas digitais que oferecem compra e venda direta de Bitcoin no Brasil são: Nubank, BTG Pactual (Mynt), Itaú (íon), Inter e Santander (via Toro). Além deles, o Banco do Brasil oferece exposição via fundos de investimento.BTG Pactual, Itaú e Inter.

Esses bancos foram os primeiros a apresentar algum serviço para acesso ao bitcoin, sendo o BTG o mais expressivo, pois possui uma plataforma própria para negociação de ativos, chamada Mynt.

Entretanto, apesar de parecer positivo que bancos tradicionais estejam se expondo ao Bitcoin para oferecer isso aos seus clientes, é necessário ter cautela. Isso ocorre porque esses bancos não são necessariamente especializados nesse tipo de serviço e muitos não permitem o saque de Bitcoin, impedindo que você faça sua própria custódia.

Além disso, eles costumam ser pouco claros sobre como armazenam os fundos de BTC.

Vamos detalhar cada um,

Nubank

O Nubank foi um dos primeiros bancos digitais a oferecer compra e venda de Bitcoin diretamente pelo app, lançando o Nubank Cripto em 2022. Hoje oferece mais de 20 criptoativos na plataforma.

Principais características:

  • Valor mínimo de compra: R$ 1,00
  • Taxas: entre 0,6% e 1,8%, avaliadas diariamente e exibidas na tela no momento da compra. Cliente Ultravioleta a taxa é zero.
  • Compras programadas: disponíveis a partir de R$ 80/mês
  • Saque para carteira própria: ✅ SIM (disponível desde abril de 2024)

O Nubank é, até o momento, a única grande instituição financeira brasileira que permite saque de Bitcoin para carteiras externas. Ou seja, você pode transferir seu BTC do app para sua própria cold wallet ou hot wallet, exercendo a autocustódia.

Esse diferencial coloca o Nubank à frente dos demais bancos tradicionais quando o assunto é respeitar os princípios do Bitcoin: “not your keys, not your coins”.

Banco do Brasil (apenas via fundos)

O Banco do Brasil não oferece compra e venda direta de Bitcoin. Porém, por meio do BB Assets, oferece um fundo multimercado com exposição a criptoativos.

BB Multimercado Criptoativos Full IE permite que clientes do varejo tenham exposição ao preço do Bitcoin a partir de R$ 0,01. Mas é importante entender: ao investir em fundos ou ETFs de Bitcoinvocê não possui Bitcoin de fato — possui cotas de um fundo que acompanha o preço.

Curiosamente, o próprio Banco do Brasil é um dos maiores investidores institucionais no ETF de Bitcoin da BlackRock, ocupando posição de destaque na lista de holders.

O BB também participa do piloto do DREX junto ao Banco Central.

BTG Pactual (Mynt)

O BTG Pactual é o maior banco de investimentos da América Latina e estuda o mercado de ativos digitais desde 2017. Em 2022, lançou a Mynt, uma plataforma própria dedicada exclusivamente à negociação de Bitcoin e shitcoins.

Principais características:

  • Bitcoin e mais de 50 shitcoins disponíveis
  • Taxa de negociação: até 0,5%
  • Carteiras recomendadas por especialistas (conservadora, moderada e arrojada)
  • Saque para carteira própria: ✅ SIM (via plataforma Mynt)

A Mynt permite comprar, vender, sacar e enviar Bitcoin para dentro da plataforma. Também oferece conteúdos educacionais, relatórios de análise e rebalanceamento automático de carteira.

É a opção mais robusta entre os bancos tradicionais para quem quer investir com profundidade e ter a possibilidade de custódia própria.

Página da Mynt, plataforma crypto do BTG Pactual

Itaú

O Itaú entrou no mercado de Bitcoin por meio da sua plataforma de investimentos íon. O principal motivo? A alta demanda dos próprios clientes que já buscavam exposição a Bitcoin e ativos digitais.

Principais características:

  • Bitcoin e cerca de 10 shitcoins disponíveis
  • Valor mínimo de compra: R$ 10,00
  • Taxa de negociação: ~2,5% na compra
  • Custódia: fica com o banco
  • Saque para carteira própria: ❌ NÃO

Até o momento, não é possível transferir Bitcoin da plataforma íon para sua própria carteira fria ou carteira quente. Você compra, detém a exposição ao preço, mas não tem acesso às chaves privadas.

Além disso, o banco também participa da implementação do DREX, a suposta CBDC brasileira que seria lançada neste ano de 2024.

Plataforma Íon do Itaú

Inter

O Inter oferece compra e venda de Bitcoin por meio do Inter Cripto, disponível dentro do próprio app do banco.

Principais características:

  • Bitcoin e cerca de 8 shitcoins disponíveis
  • Valor mínimo de compra: R$ 1,00
  • Taxas: definidas no momento da compra (taxa da rede + taxa de corretagem), exibidas na tela
  • Saque para carteira própria: ❌ NÃO

Assim como no Itaú, as negociações são apenas internas. Não é possível sacar Bitcoin para sua própria carteira. Para acessar, vá em: Investimentos > Investir > Criptomoedas.

Inter cripto

Santander

O Santander entrou no mercado cripto indiretamente, através da Toro Investimentos (que o banco adquiriu). A plataforma da Toro oferece exposição a um número limitado de criptoativos.

Principais características:

  • Bitcoin e a shitcoin Ethereum disponível.
  • Custódia fica com a plataforma
  • Saque para carteira própria: ❌ NÃO

É a opção mais limitada entre os bancos desta lista. Funciona mais como uma “ponte de entrada” para clientes Santander curiosos sobre o mercado.

E os outros bancos?

Nem todos os grandes bancos brasileiros entraram na onda do Bitcoin:

  • Bradesco: Não oferece compra de Bitcoin para clientes de varejo. O foco do banco tem sido blockchain corporativa e stablecoins para operações interbancárias.
  • C6 Bank: Não oferece compra direta, mas disponibiliza fundos de investimento em “cripto” (via gestoras como Hashdex) dentro da plataforma.

Prós e contras de comprar Bitcoin em bancos

Para aqueles já inseridos no mundo do Bitcoin, negociar em bancos pode parecer completamente fora de cogitação. No entanto, existem diferentes realidades e, para algumas pessoas, essa pode ser a única opção viável em determinado momento.

Assim, dentre as vantagens que algumas pessoas podem enxergar está o fato de os bancos já serem instituições estabelecidas no mercado, além de estarem sempre sujeitos à regulamentação. Algumas pessoas também têm mais familiaridade com essas instituições, e a maioria dos bancos possui presença física, onde os clientes podem ir pessoalmente para tentar resolver algum problema.

Vantagens:

  • Praticidade: tudo no mesmo app do banco
  • Familiaridade: muita gente se sente mais segura com instituições que já conhece
  • Regulamentação: bancos estão sujeitos à fiscalização do Banco Central
  • Presença física: possibilidade de resolver problemas presencialmente

Entretanto, o lado negativo é que essas ainda são instituições tradicionais no mercado, portanto, e estão mais alinhadas com os ideais fiat do que com os ideais trazidos pelo próprio Bitcoin. Muitos dele inclusive fazem uma salda de frutas e misturam Bitcoin e criptos propositalmente para oferecer esses produtos que em nada se parecem com bitcoin. Por isso que entidades que nasceram dentro do ecossistema do Bitcoin estão mais alinhadas com o ethos que Bitcoin trouxe, serviços como a Bipa ou a exchange Bisq cujo foco exclusivo é o Bitcoin.

Podemos destacar aqui algumas desvantagens significativas na compra de Bitcoin em bancos e contas digitais:

  • a maioria dos bancos não possui função de saque para a própria carteira;
  • obrigatoriedade de KYC;
  • dependente de permissão para acessar os serviços
  • comprometidos com o ethos fiat e não bitcoin
  • não é possível saber como eles armazenam os fundos que dizem ter e nem se possuem, de fato, as moedas que dizem vender.

Portanto, comprar Bitcoin em bancos é um contrassenso se você é um Bitcoiner. Apesar que para operações financeiras tradicionais eles pareçam confiáveis, eles estão à uma canetada de distância de mudar esses parâmetros.

Comprar Bitcoin em banco pode ser um bom primeiro passo, mas se você quer exercer soberania sobre seus fundos, o ideal é evoluir para soluções nativas do ecossistema. Se quiser aprender a comprar Bitcoin sem corretora, temos um guia completo.

Conclusão

A boa notícia é que bancos tradicionais oferecerem Bitcoin desmonta qualquer narrativa de que o Bitcoin é pirâmide ou golpe. Se instituições “renomadas” estão entrando nesse mercado, é um sinal de que ele está cada vez mais consolidado — e que os bancos precisaram ofertar Bitcoin para não perder clientes. É a teoria dos jogos e da sobrevivência financeira em ação.

Porém, lembre-se: na maioria dos bancos, você não tem as chaves privadas do seu Bitcoin. Isso significa que, na prática, você tem exposição ao preço — mas não tem Bitcoin de verdade. Se o banco decidir mudar as regras, congelar contas ou simplesmente fechar o serviço, você está a uma canetada de perder o acesso.

O caminho ideal? Use o banco como porta de entrada se for necessário, mas estude sobre autocustódia e migre seus bitcoins para sua própria carteira o quanto antes.

Se bancos não conseguiram vencer o Bitcoin, resolveram se juntar a ele. Mas você não precisa de um banco para ter Bitcoin, esse é o ponto.

Até a próxima e Opt Out!

Compartilhe em suas redes sociais:

Escrito por
Imagem do Autor
Carol Souza

Uma das principais educadoras de Bitcoin no Brasil e fundadora da Area Bitcoin, uma das maiores escolas de Bitcoin do mundo. Ela já participou de seminários para desenvolvedores de Bitcoin e Lightning da Chaincode (NY) e é palestrante recorrente em conferências sobre Bitcoin ao redor do mundo, bem como Adopting Bitcoin, Satsconf, Bitcoin Atlantis, Surfin Bitcoin e mais.

Ícone do X

Curtiu esse artigo? Considere nos pagar um cafezinho para continuarmos escrevendo novos conteúdos! ☕