Cashu é um protocolo gratuito e open source de ecash (dinheiro eletrônico) construído para Bitcoin. Criado pelo desenvolvedor Calle, ele usa criptografia de assinaturas cegas para permitir transações instantâneas, privadas e quase gratuitas. Na prática, é como ter dinheiro físico, só que na forma digital e integrado ao Bitcoin via Lightning Network.
Se você já usou dinheiro em espécie, sabe que ele tem uma propriedade poderosa: ninguém precisa saber quem pagou quem. Não tem login, não tem cadastro, não tem histórico. É isso que o Cashu traz para o mundo digital. E o mais interessante é que faz tudo isso sem abrir mão da integração com o Bitcoin.
Neste artigo, você vai entender o que é Cashu, quem desenvolveu o protocolo, como ele funciona na prática, qual a diferença entre Cashu e eCash, quais carteiras e apps já utilizam essa tecnologia e por que ele pode ser tão importante para o futuro dos pagamentos em Bitcoin.
Bora lá?!
Tópicos abordados
O que é Cashu?
Cashu é um protocolo de código aberto que transforma bitcoin em dinheiro digital privado. Simples assim.
Sabe quando você paga um café com uma nota de R$ 10? Ninguém sabe de onde aquela nota veio, por quantas mãos ela passou e nem para onde ela vai depois. O Cashu faz exatamente isso, só que com bitcoin. Ele cria uma camada de privacidade que torna as transações impossíveis de rastrear.
Na prática funciona assim: você deposita bitcoin (geralmente via Lightning Network) em um servidor chamado “mint”. A mint então cria tokens equivalentes ao valor que você depositou e entrega esses tokens para você. Eles ficam salvos no seu celular ou computador, como se fossem notas digitais no seu bolso.
A partir daí, você pode enviar esses tokens para qualquer pessoa de forma instantânea e sem custo. Pode guardar eles ou trocar de volta por bitcoin a qualquer momento. É dinheiro de verdade, só que digital e privado.
E aqui vem a parte mais interessante: a mint não sabe quem você é. Ela não consegue ver quem é o dono de cada token e nem rastrear para quem ele foi enviado. Isso é possível graças a uma técnica de criptografia chamada “assinaturas cegas”, criada pelo criptógrafo David Chaum lá nos anos 80. É como se um banco carimbasse uma nota dentro de um envelope lacrado, sem nunca ver o número de série dela.
Ou seja, o Cashu pega o bitcoin, que tem todas as transações registradas publicamente na blockchain, e adiciona uma camada de privacidade real. O resultado? Transações rápidas, baratas e que ninguém consegue rastrear.
Quem criou o Cashu?
O Cashu foi criado por Calle (conhecido no X/Twitter como @callebtc), um desenvolvedor open source com PhD em Física. Calle é também co-criador do Bitchat, o app de mensagens offline via Bluetooth e mesh networking.

O primeiro commit do projeto Cashu foi feito em setembro de 2022, quando Calle publicou o Nutshell, a primeira implementação de carteira e mint do protocolo, escrita em Python. Desde então, o ecossistema cresceu rapidamente, com implementações em TypeScript, Rust e diversas carteiras para iOS, Android e web.
Calle também criou a OpenCash Association, uma organização sem fins lucrativos dedicada a garantir o desenvolvimento sustentável de projetos de dinheiro digital open source usando o protocolo Cashu.
Como funciona esse protocolo?
Para entender o Cashu, vamos usar uma analogia simples.
Imagine que você vai a uma casa de câmbio e troca 100 reais por fichas de um cassino. Essas fichas valem dinheiro, você pode usá-las para jogar, dar para um amigo ou trocar de volta por dinheiro. A diferença é que, no Cashu, a casa de câmbio (mint) não sabe quais fichas são suas.
Tecnicamente, o processo funciona em três etapas:
1. Depósito (Minting)
Você envia bitcoin para a mint via Lightning Network. A mint recebe o pagamento e cria tokens de ecash assinados com sua chave privada. Porém, antes de assinar, os tokens passam pelo processo de “blinding” (cegamento), onde a mint assina sem saber o conteúdo exato do token.
2. Transferência
Com seus tokens de ecash no dispositivo, você pode enviá-los para qualquer pessoa. A transferência é peer-to-peer: basta copiar e colar o token (que é uma string de texto) ou escanear um QR Code. Não precisa de internet no momento da transferência. O receptor recebe o token e o “resgata” na mint, que verifica a assinatura, invalida o token antigo e emite um novo.
3. Resgate (Melting)
Quando quiser converter seus tokens de volta para bitcoin, basta fazer o processo inverso. Você apresenta os tokens à mint, que verifica a assinatura, destrói os tokens e envia o bitcoin equivalente para sua carteira Lightning.
A criptografia por trás
O Cashu utiliza o esquema BDHKE (Blind Diffie-Hellmann Key Exchange). Em termos simples:
- A mint publica sua chave pública.
- O usuário (por exemplo Alice) escolhe um segredo aleatório e o “cega” matematicamente antes de enviar à mint.
- A mint assina o token cegado e devolve ao usuário.
- O usuário remove o cegamento e obtém uma assinatura válida que a mint não consegue rastrear.
- Quando Alice envia o token para Carol, Carol apresenta à mint para verificação, e a mint confirma sem saber que o token veio de Alice.
Resultado: transações instantâneas, sem taxas significativas e com privacidade total.
Legal, né?!
Qual a diferença entre Cashu e eCash?
Essa é uma dúvida muito comum. Vamos esclarecer de uma vez.
eCash (ou Chaumian eCash) é o conceito de dinheiro eletrônico inventado por David Chaum nos anos 1980. É a ideia teórica de usar assinaturas cegas para criar tokens digitais anônimos que funcionam como dinheiro físico.
Cashu é uma implementação moderna desse conceito, integrada com o Bitcoin. Ou seja, Cashu é ecash na prática, construído sobre Bitcoin e Lightning Network.
A grande diferença? Na década de 1990, o eCash de Chaum dependia de bancos centralizados para funcionar (como a DigiCash). Ele falhou porque precisava de uma entidade confiável para emitir as moedas e porque a demanda por pagamentos digitais ainda era baixa.
O Cashu resolve essa limitação de duas formas:
- Qualquer pessoa pode rodar uma mint — não depende de bancos ou empresas.
- Os tokens são lastreados em Bitcoin — não em moeda fiduciária controlada por governos.
Na tabela abaixo montamos um comparativo para você conseguir visualizar bem as diferenças entre eCash e Cashu:
| eCash | Cashu | |
|---|---|---|
| Ano | 1983 (conceito) | 2022-presente |
| Lastro | Moeda fiduciária (USD) | Bitcoin (via Lightning) |
| Quem opera a mint | Bancos licenciados | Qualquer pessoa |
| Código | Proprietário | Open source |
| Privacidade | Assinaturas cegas | Assinaturas cegas (BDHKE) |
| Interoperabilidade | Nenhuma | Lightning Network |
| Status | conceito vivo em Cashu, Fedimint e outros | Ativo e em crescimento |
Cashu vs Fedimint: qual a diferença?
Outro protocolo que frequentemente é comparado ao Cashu é o Fedimint. Ambos implementam o conceito de Chaumian eCash para Bitcoin, mas com abordagens diferentes.
A principal diferença está no modelo de custódia:
- Cashu utiliza uma mint individual. Uma única entidade opera a mint, assina os tokens e custodia o bitcoin correspondente. É mais simples e rápido de configurar.
- Fedimint utiliza um modelo federado. Várias partes independentes operam a mint juntas através de um esquema de múltiplas assinaturas (multisig). Nenhuma entidade sozinha tem controle sobre os fundos.
Na prática, o Cashu é ideal para aplicações menores, experimentos, integrações em apps e uso pessoal, enquanto o Fedimint é mais indicado para comunidades e grupos que querem uma custódia colaborativa mais robusta.
Os dois protocolos não são concorrentes. Eles se complementam e resolvem problemas diferentes dentro do ecossistema Bitcoin.
Cashu e Lightning Network
O Cashu e a Lightning Network trabalham juntos de forma complementar.
A Lightning Network é a camada de pagamentos rápidos do Bitcoin, que permite transações em segundos com taxas muito baixas. O Cashu usa a Lightning como “ponte” entre o mundo do Bitcoin e o mundo do ecash.
Funciona assim:
- Para entrar no Cashu: você paga uma invoice Lightning e recebe tokens de ecash.
- Para sair do Cashu: você apresenta seus tokens e recebe um pagamento Lightning.
- Entre mints: se um usuário de uma mint quer pagar alguém em outra mint, o pagamento é roteado via Lightning automaticamente.
Essa integração resolve um dos maiores desafios do ecash: a interoperabilidade. Mesmo que existam milhares de mints diferentes, todas elas podem transacionar entre si através da Lightning Network, criando uma rede global de pagamentos privados.
Além disso, o Cashu adiciona algo que a Lightning sozinha não oferece: privacidade real. Na Lightning, os nós que roteiam pagamentos podem ver valores e endereços. No Cashu, as transações entre usuários da mesma mint são completamente opacas.
Carteiras e apps que usam Cashu
O ecossistema Cashu cresceu rapidamente desde 2022. Hoje existem diversas carteiras e aplicativos que implementam o protocolo, tanto para dispositivos móveis quanto para a web.
Aqui estão os principais:
Carteiras Mobile
- Macadamia — Carteira Cashu nativa para iOS, escrita em Swift. Interface limpa e fácil de usar.
- Sovran — Outra carteira Cashu para iOS.
- Minibits — Carteira para Android com foco em performance e usabilidade.
- eNuts — Carteira para Android e iOS desenvolvida pela comunidade Cashu. 🥜🐿️
Carteiras Web (PWA)
- Cashu.me — A carteira web oficial do projeto, desenvolvida pelo próprio Calle. Suporta Bitcoin e USD, seed phrase para backup, envio/recebimento offline, QR codes animados e descoberta de mints via Nostr.
- Nutstash — Carteira web com suporte a múltiplas mints e envio/recebimento de tokens via Nostr.
Carteiras On-Chain/Lightning com Cashu
Além das carteiras dedicadas ao Cashu, algumas carteiras Bitcoin on-chain e Lightning também integraram o protocolo nativamente, permitindo que você use ecash junto com seus sats em um único app:
- Blitz — Carteira Lightning com integração nativa de ecash Cashu.
- Coinos — Carteira Lightning web com suporte a ecash Cashu integrado.
- Voltz — Carteira all-in-one que combina on-chain, Lightning e ecash Cashu em um único app.
- Zeus — Popular carteira Lightning que adicionou suporte a ecash Cashu.
Ferramentas CLI
- Nutshell — A implementação de referência em Python. Funciona como carteira e mint via linha de comando. Ideal para desenvolvedores.
- CDK Wallet — Carteira CLI escrita em Rust.
Projetos que integram Cashu
- Bitchat — O app de mensagens offline via Bluetooth criado por Calle e Jack Dorsey. Possui uma carteira ecash Cashu nativa integrada, permitindo enviar bitcoin via Bluetooth de telefone para telefone.
- BTCNutServer — Plugin para BTCPay Server que permite que comerciantes aceitem pagamentos em tokens Cashu.
- npub.cash — Usa mints Cashu para receber fundos via Lightning addresses no Nostr.
- Numo — App de Ponto de Venda (PoS) que aceita Cashu e Lightning.
- hashpool — Pool de mineração que usa ecash para representar shares de mineração, sem necessidade de cadastro.
- Athenut — Buscador web alimentado pelo Kagi com pagamento via Cashu, mantendo a privacidade das buscas.
- TollGate — Transforma qualquer roteador WiFi em um provedor de internet descentralizado usando Bitcoin e ecash.
- routstr — Marketplace para comprar e vender APIs de LLMs (inteligência artificial) usando tokens Cashu.
Dá pra ver que é um ecossistema que está crescendo muito!
Cashu e Nostr
O Cashu tem uma relação natural com o Nostr, o protocolo de comunicação descentralizada. Várias carteiras Cashu suportam envio e recebimento de tokens via Nostr, e o protocolo npub.cash permite que qualquer usuário Nostr receba pagamentos Lightning através de uma mint Cashu.
Essa integração faz muito sentido pois Nostr já usa Lightning para “zaps” (gorjetas em bitcoin) e o Cashu adiciona uma camada de privacidade que o Lightning sozinho não oferece. Carteiras como o Nutstash e o Cashu.me já suportam descoberta de mints e troca de tokens diretamente pelo Nostr.
Bom, mas depois de entender tudo isso, quais as vantagens de usar Cashu? Vamos entender.
Vantagens do Cashu
O protocolo Cashu oferece diversas vantagens em relação a sistemas de pagamento tradicionais e até mesmo em relação a transações on-chain no Bitcoin:
1. Privacidade real
A mint não mantém banco de dados de contas nem histórico de transações. Graças às assinaturas cegas, ela não consegue associar um depósito a um gasto. Isso é fundamentalmente diferente de qualquer sistema bancário, exchange ou mesmo da blockchain do Bitcoin, onde todas as transações são públicas.
2. Transações instantâneas
Pagamentos com ecash são finais e instantâneos. Não há blocos para esperar, não há confirmações pendentes. É tão rápido quanto entregar uma nota de dinheiro na mão de alguém.
3. Taxas quase zero
Transações entre usuários da mesma mint não têm taxa alguma. As únicas taxas envolvidas são as da Lightning Network quando você deposita ou resgata bitcoin, e essas já são extremamente baixas.
4. Funciona offline
Tokens de ecash são bearer tokens (tokens ao portador). Eles podem ser transferidos offline, por exemplo, via QR code, NFC, Bluetooth ou até papel. O receptor precisa ficar online apenas quando quiser verificar/resgatar o token na mint.
5. Open source e interoperável
O protocolo Cashu é totalmente open source e suas especificações são públicas. As especificações são chamadas de NUTs (Notation, Usage, and Terminology). Qualquer desenvolvedor pode criar sua própria carteira ou mint compatível com o ecossistema.
6. Programável
Tokens Cashu suportam condições de gasto avançadas como P2PK (Pay to Public Key) e HTLCs (Hash Time-Locked Contracts), permitindo pagamentos condicionais e contratos inteligentes simples.
Limitações e tradeoffs
Como qualquer tecnologia, o Cashu também tem limitações que é importante conhecer:
1. Confiança na mint
Este é o principal tradeoff. Quando você deposita bitcoin em uma mint Cashu, está confiando que a mint vai honrar o resgate dos seus tokens. Se a mint desaparecer ou agir de má-fé, você pode perder seus fundos. Por isso, nunca guarde grandes quantias em ecash. Use Cashu para transações do dia a dia, assim como você carrega apenas algum dinheiro na carteira física, não toda a sua poupança.
2. Não auditável
Justamente por causa da privacidade, não é possível auditar externamente quanto ecash uma mint emitiu. Em teoria, uma mint poderia emitir mais tokens do que o bitcoin que possui em reserva. Esse é um problema inerente a qualquer sistema de ecash.
3. Não é autocustódia plena
O Cashu é uma solução de custódia delegada, não de autocustódia. Seus tokens são bearer tokens (quem tem, é dono), mas o bitcoin está na mint. Para valores maiores, use carteiras de autocustódia como BitBox02, Coldcard ou Jade.
4. Mints podem ser reguladas
Dependendo da jurisdição, operar uma mint pode atrair atenção regulatória, já que envolve custódia de bitcoin de terceiros. Esse é um desafio que o ecossistema ainda está enfrentando.
Como usar o Cashu na prática (passo a passo)
Quer experimentar o Cashu? O jeito mais fácil é usar a carteira web Cashu.me. Siga o passo a passo:
Passo 1: Acesse a carteira
Abra cashu.me no navegador do seu celular ou computador. A carteira funciona como um PWA (Progressive Web App), ou seja, você pode instalá-la na tela inicial do seu celular como se fosse um app nativo.



Passo 2: Escolha uma mint
A carteira já vem com uma mint padrão configurada. Você pode adicionar outras mints ou descobrir novas via Nostr. Lembre-se: a mint que você escolher é quem vai custodiar o bitcoin, então escolha uma que você confia.

Passo 3: Deposite bitcoin
Clique em “Receber” e escolha a opção Lightning. A carteira vai gerar uma invoice que você pode pagar com qualquer carteira Lightning. Assim que o pagamento for confirmado, seus tokens de ecash aparecem no saldo.

Passo 4: Envie ecash
Para enviar, clique em “Enviar”, digite o valor e escolha o método: QR code, texto (token Cashu) ou via Nostr. O receptor pode resgatar o token em qualquer carteira Cashu compatível.

Passo 5: Resgate para Lightning
Quando quiser converter de volta para bitcoin, basta colar uma invoice Lightning na carteira Cashu e ela pagará usando seus tokens de ecash.
NUTs: as especificações do protocolo Cashu
As especificações técnicas do Cashu são chamadas de NUTs (Notation, Usage, and Terminology). Elas descrevem cada aspecto do protocolo: como tokens são criados, transferidos, verificados e resgatados.
As NUTs são documentos públicos no GitHub e garantem que diferentes implementações (em Python, TypeScript, Rust, etc.) sejam compatíveis entre si. Isso é essencial para manter o ecossistema interoperável.
Além das NUTs, existem bibliotecas de desenvolvimento em diversas linguagens:
- Nutshell — Python (a referência original)
- cashu-ts — TypeScript
- CDK (Cashu Development Kit) — Rust
Ou seja, se você é desenvolvedor, pode construir sua própria carteira ou mint usando qualquer uma dessas bibliotecas.
Mints Cashu: como funcionam
Uma mint é o coração do sistema Cashu. É o servidor que custodia o bitcoin e emite os tokens de ecash. Atualmente existem três implementações principais de mints:
- Nutshell — A mint de referência, escrita em Python. Suporta PostgreSQL e SQLite.
- mintd — Implementação em Rust, parte do CDK (Cashu Development Kit).
- Nutmix — Implementação em Go.
Qualquer pessoa pode rodar sua própria mint, basta ter um servidor, um node Lightning e instalar o software. A mint opera de forma independente, e os usuários escolhem em qual mint confiar, de forma semelhante a como você escolhe em qual banco guardar seu dinheiro, mas com a diferença crucial de que a mint não sabe quem você é.

Cashu e privacidade: por que importa?
Vivemos em uma era onde cada transação digital deixa um rastro. Bancos, fintechs, exchanges e até a blockchain do Bitcoin registram todas as movimentações. Ferramentas como Silent Payments e CoinJoin ajudam, mas têm limitações.
O Cashu traz uma abordagem diferente: em vez de tentar esconder transações em uma blockchain pública, ele simplesmente não registra nada. A mint não tem banco de dados de contas, não armazena histórico de transações e não sabe quem pagou quem.
Isso é especialmente relevante para:
- Micropagamentos: pagar por um artigo, uma busca, um café, sem que essa informação fique registrada para sempre.
- Proteção contra hacks: como a mint não armazena dados de usuários, não há nada para vazar em caso de invasão.
- Resistência à censura: em países com regimes autoritários, transações privadas podem ser questão de sobrevivência.
Como os próprios cypherpunks dizem: “Privacidade não é sobre ter algo a esconder. É sobre ter o direito de escolher o que revelar.”
O futuro do Cashu
O ecossistema Cashu está em crescimento acelerado. Desde o primeiro commit em 2022, o projeto já conta com 27 repositórios no GitHub, bibliotecas em 3 linguagens, carteiras para todas as plataformas e mais de 470 estrelas no repositório principal.
Alguns desenvolvimentos que merecem atenção:
- Cashu no Bitchat: Calle está integrando uma carteira ecash nativa no Bitchat, permitindo enviar bitcoin via Bluetooth de celular para celular, sem internet. Isso combina ecash com mesh networking, abrindo possibilidades para pagamentos em áreas sem cobertura de rede.
- Ecash para IA: projetos como o routstr já usam Cashu para micropagamentos em APIs de inteligência artificial, permitindo pagar por uso sem cadastro.
- Padrão de pagamentos web: tokens Cashu podem ser incluídos em requests HTTP, criando um novo padrão de micropagamentos na web sem necessidade de logins ou cartões de crédito.
- Mineração sem cadastro: o projeto hashpool usa ecash para representar shares de mineração, eliminando a necessidade de contas em pools.
Vale ressaltar que o Cashu não pretende substituir o Bitcoin on-chain ou a Lightning Network. Ele é uma camada adicional que resolve um problema específico que são os pagamentos digitais rápidos, baratos e verdadeiramente privados. E isso é algo que o mundo precisa.
Perguntas Frequentes
O que é Cashu?
Cashu é um protocolo gratuito e open source de ecash (dinheiro eletrônico) construído para Bitcoin. Ele permite transações instantâneas, privadas e quase gratuitas usando criptografia de assinaturas cegas. Os tokens ficam no seu dispositivo como dinheiro digital e podem ser enviados para qualquer pessoa.
Cashu é seguro?
A criptografia do Cashu é sólida e baseada em décadas de pesquisa. Porém, existe o risco de custódia: seus tokens dependem da mint honrar o resgate. Use Cashu apenas para pequenos valores do dia a dia, assim como faria com dinheiro na carteira física. Para valores maiores, use carteiras de autocustódia como cold wallets.
Qual a diferença entre Cashu e Bitcoin?
Bitcoin é a rede descentralizada de dinheiro digital, com blockchain pública e autocustódia plena. Cashu é uma camada de privacidade construída sobre o Bitcoin que usa ecash para pagamentos rápidos e anônimos. Cashu não substitui o Bitcoin, ele o complementa para transações cotidianas.
Quem criou o Cashu?
O Cashu foi criado por Calle (@callebtc), um desenvolvedor open source com PhD em Física. Ele também é co-criador do Bitchat e fundador da OpenCash Association.
Qual a diferença entre Cashu e Fedimint?
Ambos implementam Chaumian eCash para Bitcoin. A diferença principal é que o Cashu usa uma mint individual, enquanto o Fedimint usa um modelo federado com múltiplas assinaturas. Cashu é mais simples, Fedimint é mais robusto para custódia coletiva.
Posso perder meus tokens Cashu?
Sim. Se a mint ficar offline ou desaparecer, você pode perder o ecash armazenado nela. Também é possível perder tokens se você perder o acesso ao dispositivo sem ter feito backup da seed phrase. Por isso, use Cashu apenas para valores pequenos.
Como experimentar o Cashu?
O jeito mais fácil é acessar cashu.me no navegador, escolher uma mint, depositar alguns satoshis via Lightning e começar a enviar e receber ecash. Não precisa de cadastro, email ou dados pessoais.
O Cashu funciona offline?
Parcialmente. Tokens de ecash podem ser transferidos offline (via QR code, texto, Bluetooth, etc.). Porém, para depositar, resgatar ou verificar tokens na mint, é necessário estar online.
Conclusão
O Cashu é, na essência, a realização de um sonho que começou em 1983 com David Chaum, um dinheiro digital que funciona como dinheiro físico. Privado, instantâneo, sem intermediários rastreando cada centavo que você gasta.
A diferença é que agora, quase 40 anos depois, temos o Bitcoin como lastro, a Lightning Network como infraestrutura e um ecossistema open source vibrante construindo ferramentas para todos.
Se você está começando a explorar o mundo do Bitcoin, entender o Cashu é entender o próximo passo na evolução dos pagamentos digitais. Acesse cashu.me, deposite alguns satoshis via Lightning e veja por si mesmo como funciona.
Espero que você tenha gostado de conhecer esse protocolo que se conecta ao Bitcoin.
Até a próxima e OPT OUT
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Fundadora da Area Bitcoin, um dos maiores projetos de educação de Bitcoin do mundo, publicitária, apaixonada por tecnologia e mão na massa full time. Já participou das principais conferências de Bitcoin como Adopting, Satsconf, Surfin Bitcoin e Bitcoin Conference.
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